Ganhar o irmão
Há uma pergunta antiga que atravessa as leituras deste domingo: «Sou eu o guarda do meu irmão?»
A resposta cristã é clara: não podemos ser indiferentes ao destino do outro. Mas cuidar do irmão não significa julgá-lo ou condená-lo. Significa aproximarmo-nos dele com verdade e caridade.
É esse o sentido da correção fraterna proposta por Jesus. Perante o erro, o primeiro gesto não é falar do outro, mas falar com o outro. A sós, com respeito pela sua dignidade, procurando recuperar e não humilhar.
Por isso, talvez a frase mais bela do Evangelho seja: «Se te escutar, terás ganho o teu irmão.»
Não se trata de ganhar uma discussão. Não se trata de provar que temos razão. Trata-se de ganhar o irmão.
Na homilia deste domingo, o Padre Noé recordava precisamente que corrigir exige humildade, escuta e prudência. E Leão XIV, no Angelus, sublinhava que até os conflitos podem transformar-se em oportunidades de crescimento quando são vividos na sinceridade e na caridade.
Num tempo em que tantas divergências terminam em afastamento, o Evangelho propõe outro caminho: aproximar, escutar, perdoar, reconstruir.
Talvez seja por isso que Jesus termina dizendo: «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.»
Quando conseguimos atravessar a distância criada pela ofensa, pelo orgulho ou pela incompreensão e voltamos a reconhecer-nos como irmãos, Cristo volta a estar no meio de nós.
Essa é a verdadeira vitória cristã: não vencer o outro, mas ganhar o irmão.
Francisco Vaz
6 de setembro de 2026