CORO

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terça-feira, 14 de julho de 2026

Pobres sempre os tereis convosco

Uma reflexão sobre a pobreza, a liberdade e a dignidade humana

Há frases que, retiradas do seu contexto, parecem dizer exatamente o contrário daquilo que significam. Poucas terão sido tão mal compreendidas como esta de Jesus: «Pobres, sempre os tereis convosco.»

Ao longo dos séculos, não faltaram aqueles que a interpretaram como uma espécie de fatalismo cristão: haverá sempre pobres, logo pouco há a fazer. Mas basta ler atentamente o Evangelho para perceber que Cristo nunca legitimou a resignação perante a injustiça. Pelo contrário, toda a sua vida constitui um permanente desafio à indiferença.

Na realidade, Jesus cita quase literalmente o Livro do Deuteronómio: «Nunca deixarão de existir pobres na terra; por isso ordeno-te: abre generosamente a mão ao teu irmão.» A permanência da pobreza não elimina a obrigação moral; torna-a permanente.

A questão é, então, outra. Porque continuará sempre a existir pobreza?

A resposta talvez resida na própria natureza da liberdade humana.

Enquanto existir liberdade haverá sempre possibilidade de egoísmo, de desigualdade, de exclusão e de injustiça. A pobreza não nasce apenas da escassez de recursos; nasce, muitas vezes, da forma como as sociedades organizam a distribuição das oportunidades, do poder e da riqueza. Não é um fenómeno exclusivamente económico. É também político, cultural, moral e espiritual.

Foi precisamente esta visão ampla que vários pensadores portugueses procuraram desenvolver.

Alfredo Bruto da Costa ensinou-nos que a pobreza é essencialmente exclusão. Não basta medir rendimentos; é necessário perguntar quem ficou impedido de participar plenamente na vida da comunidade. O pobre não é apenas quem possui menos. É frequentemente quem conta menos.

Manuela Silva acrescentou uma dimensão decisiva: a pobreza resulta também das escolhas coletivas. Uma economia só merece esse nome quando coloca a pessoa humana no centro do desenvolvimento. O crescimento económico, por si só, não elimina a pobreza se não produzir justiça social.

Eugénio Fonseca, durante muitos anos à frente da Cáritas Portuguesa, recorda que nenhuma política social substitui a proximidade humana. O combate à pobreza exige instituições eficazes, mas exige igualmente relações de fraternidade. A solidariedade não é um sentimento vago; é uma forma concreta de reconhecer no outro alguém com igual dignidade.

Acácio Catarino insistia que o trabalho digno continua a ser uma das mais importantes formas de libertação. A assistência pode aliviar necessidades; o trabalho devolve autonomia, participação e autoestima.

Mas talvez seja Amartya Sen quem tenha oferecido uma das formulações mais fecundas do nosso tempo. Para o Nobel da Economia, ser pobre não significa apenas possuir poucos recursos; significa não dispor das capacidades necessárias para escolher livremente o próprio projeto de vida. A verdadeira riqueza mede-se pelas possibilidades reais de cada pessoa florescer.

Esta perspetiva aproxima-se surpreendentemente da tradição cristã.

Muito antes de existirem indicadores económicos, Santo Ambrósio afirmava que os bens da criação possuem um destino universal. Quando o rico socorre o pobre, dizia ele, não pratica um gesto de magnanimidade; restitui-lhe aquilo que, em certo sentido, já lhe pertence pelo simples facto de ambos partilharem a mesma humanidade.

Séculos mais tarde, Bento XVI, na encíclica Caritas in Veritate, recuperaria esta intuição ao afirmar que o desenvolvimento só é verdadeiramente humano quando integra a justiça, a verdade e a caridade. E Francisco, em Fratelli Tutti, denuncia aquilo que talvez seja a maior pobreza contemporânea: a cultura do descarte, que transforma pessoas em objetos úteis enquanto servem e descartáveis quando deixam de servir.

No entanto, talvez a forma mais subtil de pobreza seja aquela que não aparece nas estatísticas.

Existe a pobreza de quem nunca foi amado.

A pobreza de quem vive rodeado de pessoas mas profundamente só.

A pobreza de quem perdeu qualquer horizonte de esperança.

A pobreza cultural que impede o acesso ao conhecimento.

A pobreza espiritual de sociedades materialmente ricas mas incapazes de responder à pergunta fundamental sobre o sentido da existência.

É por isso que combater a pobreza não pode limitar-se à redistribuição de riqueza. É necessário construir relações, fortalecer famílias, promover educação, criar trabalho digno, cultivar cultura, alimentar esperança. Em suma, promover a pessoa inteira.

A frase de Jesus permanece, assim, extraordinariamente atual.

Os pobres estarão sempre entre nós não porque Deus tenha desistido da humanidade, mas porque a liberdade humana continuará sempre capaz de produzir novas formas de exclusão. Essa permanência não justifica a resignação; impede precisamente que alguma geração imagine ter concluído definitivamente a obra da justiça.

Talvez seja este o verdadeiro significado daquelas palavras.

Os pobres não existem para testar a nossa generosidade.

Existem para recordar permanentemente a nossa responsabilidade.

Porque uma civilização não se mede pelo número dos seus milionários, nem sequer pelo crescimento do seu produto interno bruto. Mede-se pela forma como olha para aqueles que nada têm para oferecer senão a sua própria dignidade.

E talvez seja precisamente aí que reside a maior atualidade do Evangelho: enquanto houver um pobre, haverá ainda trabalho por fazer. Não apenas para os governos ou para as instituições, mas para cada um de nós. Afinal, como recordava Santo Ambrósio, a justiça começa quando deixamos de considerar a solidariedade uma concessão e passamos a reconhecê-la como um dever decorrente da comum dignidade humana.

Francisco Vaz

11 de julho de 2026


Entre o cisma e a nostalgia

quando a unidade da Igreja é posta à prova

A história da Igreja ensina que as grandes crises raramente nascem da falta de fé. Nascem, quase sempre, da dificuldade em viver a comunhão. Umas vezes porque se pretende ir demasiado depressa; outras porque se recusa caminhar. Em ambos os casos, perde-se de vista aquilo que constitui o coração da tradição católica: a unidade.

Nos últimos anos assistimos a dois fenómenos aparentemente opostos, mas que, no fundo, revelam a mesma tentação.

Por um lado, encontram-se aqueles que, em nome da renovação, entendem que determinadas decisões podem ser tomadas independentemente da comunhão com o sucessor de Pedro. A ordenação episcopal sem mandato pontifício constitui um dos atos mais graves que um bispo pode praticar. Não se trata apenas de uma questão administrativa ou disciplinar. Na tradição católica, cada bispo é sucessor dos Apóstolos precisamente porque a sua missão se insere na comunhão do colégio episcopal, cuja unidade tem como princípio visível o Bispo de Roma. Quando alguém rompe deliberadamente esse vínculo, não cria apenas uma nova estrutura; introduz uma fratura no próprio significado do episcopado. A sucessão apostólica não é uma simples cadeia histórica de imposição das mãos; é também uma sucessão na comunhão da fé e da Igreja.

Por outro lado, encontramos setores que olham para o Concílio Vaticano II como se tivesse sido um desvio lamentável da história da Igreja. Alimenta-se, por vezes, a esperança de um regresso a um passado idealizado, como se fosse possível suspender sessenta anos de reflexão, de magistério e de vida eclesial. Também aqui existe um equívoco profundo.

Nenhum concílio ecuménico pode ser simplesmente apagado. A tradição da Igreja não funciona por eliminação de capítulos da sua história. A tradição é uma continuidade viva. Desenvolve-se sem negar as suas raízes, corrige excessos sem destruir o que recebeu e permanece aberta à ação permanente do Espírito Santo.

O erro consiste em transformar um concílio num campo de batalha ideológico. Uns absolutizam o espírito do concílio esquecendo os seus textos; outros absolutizam o período anterior como se toda a verdade tivesse ficado congelada antes de 1962. Ambos acabam por reduzir um acontecimento espiritual a uma disputa política.

Existe aqui um curioso paralelismo.

Os que rompem com Roma em nome da inovação afirmam que a Igreja deve adaptar-se ao mundo, mesmo que para isso tenha de ultrapassar os limites da comunhão eclesial.

Os que recusam o Vaticano II em nome da tradição sustentam que a Igreja apenas será fiel se regressar ao passado, mesmo que isso implique colocar em causa o magistério posterior.

Uns caminham para diante sem o centro; outros permanecem imóveis enquanto a Igreja continua o seu caminho.

Mas a identidade cristã nunca foi construída sobre estas alternativas. A Igreja não é um museu onde tudo permanece imóvel nem um laboratório onde tudo pode ser reinventado. É um organismo vivo. Como acontece com qualquer ser vivo, cresce permanecendo ele próprio. Uma árvore adulta não renega a semente que lhe deu origem, mas também não regressa a ela.

O critério decisivo continua a ser o mesmo desde os primeiros séculos: a comunhão. Não uma comunhão acrítica, que dispense o debate, nem uma obediência cega que elimine a consciência, mas uma comunhão que reconhece que ninguém possui sozinho a plenitude da verdade. O Espírito Santo não inspira apenas indivíduos; conduz toda a Igreja.

Talvez por isso seja mais fecundo abandonar as categorias políticas de "progressistas" e "conservadores". Essas palavras pertencem ao vocabulário parlamentar, não ao léxico do Evangelho. A verdadeira distinção é outra: entre aqueles que procuram a verdade permanecendo na comunhão e aqueles que colocam a sua própria interpretação acima da comunhão.

A Igreja sempre viveu de tensões criativas. Os grandes santos discutiram, discordaram e, por vezes, confrontaram-se intensamente. Mas fizeram-no sem romper o vínculo que os unia ao Corpo inteiro.

A unidade nunca exige uniformidade absoluta; exige, isso sim, uma humildade comum. A humildade de reconhecer que nem o passado esgota a ação de Deus, nem o futuro nos autoriza a esquecer as raízes. Entre a nostalgia e a ruptura existe um caminho mais difícil, mas também mais autenticamente católico: o caminho da tradição viva, onde a fidelidade e a renovação deixam de ser adversárias para se tornarem duas expressões da mesma esperança.

Uma nota de rigor histórico: se estiver a referir-se ao caso recente da Suíça, posso identificar o episódio concreto e enquadrá-lo canonicamente, pois houve diferentes situações envolvendo tensões com Roma e convém distinguir os factos antes de fazer uma crítica específica.

Francisco Vaz

2 de julho de 2026

Do Génesis à Divina Comédia

Uma alegoria sobre o humor divino, a liberdade humana e as eternas azelhices da criatura.

Há uma hipótese que, naturalmente, não consta em qualquer tratado de teologia, mas que merece, pelo menos, um sorriso filosófico: talvez a história da humanidade possa ser lida como a mais longa comédia alguma vez representada.

Não porque Deus tenha criado o homem para dele troçar, mas porque só um infinito sentido de humor poderia acompanhar, sem desistir da obra, a sucessão interminável de equívocos produzidos pela criatura dotada de liberdade.

Tudo começa no Génesis. O cenário é perfeito. O jardim é paradisíaco. A criação termina com uma exclamação de satisfação: «E Deus viu que tudo era muito bom.» A peça parecia destinada ao género da contemplação. Mas bastaram poucas páginas para surgir o primeiro ato cómico. Deus diz: «De toda a árvore podes comer, menos desta.» O ser humano, com a criatividade que o acompanhará para sempre, conclui imediatamente que a única árvore realmente interessante só pode ser precisamente essa.

É o primeiro grande momento da comédia humana: transformar a única exceção na única prioridade.

Segue-se o célebre interrogatório. «Adão, onde estás?» Como se Deus ignorasse a resposta. A pergunta não procura informação; procura consciência. Mas Adão responde como responderão milhões dos seus descendentes: não assume a responsabilidade, procura um culpado: «A mulher que me deste…». Eva, por sua vez, remete a culpa para a serpente. A serpente, infelizmente, não dispõe de advogado.

Desde então, a humanidade aperfeiçoou o método. Descobrimos a política, onde a culpa pertence sempre ao governo anterior; a economia, onde a responsabilidade é dos mercados; a meteorologia, onde tudo se explica pelas alterações climáticas; e as redes sociais, onde cada um possui a verdade absoluta durante quinze minutos.

Entretanto, Deus continua, por assim dizer, a assistir à representação. Não como um espectador que se diverte com o sofrimento das personagens, mas como um autor paciente que sabe que a liberdade implica a possibilidade permanente do disparate. Um criador de marionetas controla os fios; um criador de pessoas aceita o risco da improvisação.

Talvez seja precisamente aí que reside o humor divino: conceder inteligência suficiente para descobrir as leis do universo e, ao mesmo tempo, observar os mesmos seres humanos discutirem por um pedaço de terra, uma herança ou um lugar de honra à mesa.

Construímos telescópios capazes de observar galáxias a milhares de milhões de anos-luz e, logo a seguir, perdemos meia hora à procura dos óculos que temos pousados na cabeça. Inventamos a penicilina e a inteligência artificial, mas continuamos incapazes de ler as instruções e montar uma simples estante sem sobrarem meia dúzia de parafusos.

A história torna-se assim uma sucessão de atos em que convivem o sublime e o ridículo. A mesma humanidade que ergue catedrais, compõe sinfonias, escreve Shakespeare, pinta Miguel Ângelo ou descobre a estrutura do ADN é também capaz de iniciar guerras por vaidade, destruir o que levou séculos a construir e repetir, geração após geração, os mesmos erros com uma surpreendente convicção de originalidade.

Talvez por isso a expressão Divina Comédia encerre uma intuição mais profunda do que parece. Não porque a criação seja uma piada, mas porque o drama humano é frequentemente atravessado por um humor involuntário. Somos simultaneamente heróis e trapalhões, sábios e distraídos, criados à imagem do Logos e continuamente tentados pelo absurdo.

O Génesis pode, assim, ser entendido como o prólogo desta imensa representação. Não uma comédia destinada a ridicularizar o homem, mas uma comédia onde a liberdade humana revela, a cada passo, a distância entre aquilo que somos e aquilo que poderíamos ser.

E talvez o riso de Deus — se é legítimo imaginá-lo — não seja um riso de escárnio, mas de infinita ternura. O mesmo sorriso de um pai que vê o filho cair pela centésima vez enquanto aprende a caminhar. Sabe que a queda faz parte do caminho. E continua, pacientemente, a estender-lhe a mão.

No fim, a verdadeira graça da história não está nas nossas azelhices, mas no facto de, apesar delas, a criação continuar aberta à esperança. Afinal, se o Génesis inaugura a grande comédia da liberdade, é porque o Autor nunca deixou de acreditar que a última palavra não pertencerá ao ridículo, mas ao amor.

Francisco Vaz

1 de julho de 2026

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Êthos: Uma visita a Milão

Êthos: Uma visita a Milão: A Cidade onde a Ciência, a Arte e a Religião se Encontram Há cidades que se distinguem pela sua riqueza económica, outras pelo seu poder po...

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A dimensão litúrgica do Coro



 
Momentos da liturgia
 
 
 
"A liturgia, como exercício da função  sacerdotal  de  Cristo, comporta  um  duplo movimento: de Deus aos homens, para operar a sua santificação, e dos  homens a Deus, para que eles possam adorá-lo em espírito e verdade."
 
 
 
Por isso a liturgia, de um modo geral, pode ser entendida como um diálogo  entre o Deus-Trindade e o Homem-Comunidade.  Este  diálogo  é  composto  de  vários momentos. Cada momento tem o seu "espírito" próprio, seu sentimento  peculiar, e portanto uma expressão diferenciada. Ninguém pede  perdão  de  forma  triunfal, nem dá um Viva tímido. Cada momento da liturgia  exige  um  tipo  de  expressão musical.   Sem   conhecer   o   espírito  de  cada  momento  do  diálogo  litúrgico, corremos o risco de dar um Viva tão tímido que ninguém  se  sinta  estimulado  a responder.
 
 
 
 
Cada Música da Celebração Eucarística tem seu  papel  e  Inspiração  própria  de cada momento litúrgico dentro da celebração. Estes momentos são os seguintes:
 



 
1. Ritos iniciais
 
 
Preparação
 
 
É um momento que foi esquecido durante algum tempo e agora está  voltando  ao uso. Enquanto alguns "acolhem" os irmãos que estão chegando para  a  festa  da Eucaristia,  o  maestro do coro  pode  preencher  o  ambiente  com  um  solo instrumental. Alguns, neste momento costumam  ensaiar  as  canções  que  farão parte da celebração. Pode-se também colocar um  disco  de  meditação,  ou  das músicas que se irá ensaiar. O importante é  criar  um  ambiente  de  vida,  pois  é Cristo, Verdade e Vida, que iremos celebrar.
 
 
Entrada
 
 
Toda a assembleia, unida em uma só  voz,  canta  a  alegria  festiva  de  reunir-se como irmãos em torno do  Cristo.  Esta  canção  deve  deixar  claro  para  toda  a assembleia, que festa, ou mistério do  Tempo  Litúrgico  (A  segunda  "perna"  do tripé litúrgico") iremos celebrar. Toda a assembleia  deverá  ser  envolvida  na  execução deste cântico.
 
 
A primeira impressão sempre marca  todo  o  relacionamento.  Assim  também  o canto inicial marcará toda a celebração.
 
 
Os instrumentos terão a função de unir, incentivar e apoiar o canto.  Não  deverão cobrir as vozes dificultando a compreensão do texto. Ninguém  participa  de  uma celebração para  ser  admirado,  ou  para  aumentar  seu  prestígio  na  comunidade. "Tocar na Missa" é um serviço e uma oração. Todo este canto como a  procissão do sacerdote não deverão ser demasiado longas. O canto deve terminar quando o sacerdote chega ao altar.
 
 
Acto Penitencial
 
 
Neste canto aclamamos a Cristo como "Nosso  Senhor"  e  lhe  pedimos  perdão. É um canto de repouso. Sua melodia deve  traduzir  a  contrição  de  quem  pede perdão. Toda a assembleia  deve  participar  deste  canto,  mas  admite-se  um  diálogo solista-assembleia.
 
 
Não é necessário que este canto seja muito "Florido". A simplicidade é a  melhor forma de expressar o arrependimento. O instrumentista deve traduzir este espírito de confiança e invocação  acompanhado  de  modo  suave,  quase  imperceptível. Para isto pode-se até excluir a percussão deste momento.
 
 
Glória
 
 
Esta é a canção da alegria, o  canto  que  os  anjos  e  pastores   cantaram  para saudar o nascimento do redentor (cf. Lc 2,14). Desde o século IV que os  cristãos cantam. Houve uma época que só os bispos o podiam cantar. Hoje recomenda-se que toda assembleia cante o "glória" com ânimo e alegria.
 
 
Este canto é excluído no advento e na  quaresma,  nos  outros  tempos  deve  ser executado e de preferência "Cantado". Não é  bom  que  seja  parte  exclusiva  do coral. Este poderá cantá-lo em diálogo com o povo.
 
 
O glória "não constitui uma aclamação trinitária",  Mas  deve  ser  antes  de  tudo uma manifestação da louvor a Deus-Pai e ao Cordeiro.
 
 
Os instrumentos têm papel importantíssimo neste canto. A percussão poderá ser bem explorada. É claro que a  "parte  não  deverá  sobressair  em  detrimento  do todo", mas neste canto os instrumentos poderão destacar-se um pouco mais.
 



 
II - Liturgia da Palavra
 
 
Salmo Responsorial
 
 
Dentro do diálogo litúrgico, este canto é a resposta da assembléia  ao  Deus  que falou na primeira leitura. Como diz  o  próprio  nome,  trata-se  de  um  salmo,  no entanto admite-se também um canto de meditação,  contanto que seja de origem bíblica e signifique uma resposta coerente  com  a  proposta  divina  expressa  na primeira leitura. 
 
 
Pode  ser  executado  por  um  solista  nas  estrofes  com  a  adesão  de  toda  a assembleia no refrão. O acompanhamento dos  instrumentos  deve  ser  discreto, exceto quando o salmo for festivo e acompanhado por todo o povo.
 
 
Aclamação ao Evangelho
 
 
Geralmente (menos no advento e na  quaresma)  a  aclamação  mais  usada  é  o Aleluia, seguido de uma pequena estrofe que prepara a leitura do Evangelho.  Não é um canto obrigatório mas sendo executado, é preciso que seja uma aclamação pessoal e comunitária ao Verbo de Deus .  Ao  contrário  do  Salmo,  este  canto permite   movimento   e   participação  vibrante  dos  instrumentos.  Poderá  haver solista, mas o Aleluia deverá ser cantado por toda a assembleia.
 
 
Depois da Homilia
 
 
Em missas com crianças, ou em outras celebrações onde  a  reflexão  silenciosa seja difícil, pode ser entoado um cântico, no estilo  do  Salmo  Responsorial,  que venha a trazer uma manifestação em sintonia com o tema do evangelho.
 
 
Profissão de Fé
 
 
O Creio é uma resposta de fé e de compromisso da comunidade e do  indivíduo  à palavra de Deus. Nele  recordamos  toda  a  história  da  salvação.  Por  isso  não convém a utilização de formas abreviadas que  sejam  profissão  de  fé,  mas  que não resumam a fé cristã. Quando cantada,  deve  contar  com  a  participação  de toda a assembleia. No entanto pela estrutura rítmica da letra, isso se torna  muito  difícil. Uma opção seria cantar um refrão popular, entre uma recitação e outra do Creio.
 
 
Oração dos Fiéis
 
 
Esta oração poderá adquirir um tom mais solene quando cantada. As  invocações devem ser executadas por um solista, ao que o povo responde cantando.  Aqui  a participação dos instrumentistas é  suavíssima  e  até  dispensável,  podendo  ser usado apenas o teclado com som de órgão.
 



 
III - Liturgia Eucarística
 
 
Preparação das oferendas
 
 
Este  é  um  dos  cantos  menos  importantes  da  missa.   Neste  momento  preparamo-nos para  oferecer  ao  Pai,  o  Cristo  "ao  qual  nos  unimos  oferecendo as nossas vidas, o nosso corpo como culto espiritual  agradável  a  Deus". Portanto, o grande ofertório da missa é após a consagração quando já não oferecemos o pão, o  vinho,  nossa   vida,  nosso   trabalho,  mas  o  próprio  Cristo  e  todo  o  resto transfigurado "Por Ele, com Ele e n’Ele".
 
 
Durante o canto de ofertório normalmente também ocorre a coleta , momento  em que colocamos um pouco do que é  nosso  em  comum.  Portanto  o  objetivo  do canto "de ofertório" é criar  uma  atmosfera  de  alegria,  partilha  e  generosidade. Pode-se dispensar o canto e os instrumentos fazerem um solo apropriado para  o momento litúrgico. Ou ainda participar com um canto de  oferta  que  o  povo  não conheça, desde que este não venha a distrair a atenção da assembleia.
 
 
Oração Eucarística
 
 
Tanto  o  diálogo  introdutório,  como  o  prefácio  e  demais  orações  podem  ser cantados e  dependendo  da  sintonia  entre  músicos  e  celebrante,  podem  ser acompanhadas pelos instrumentos. Desde que o celebrante ache  conveniente.
 
 
Santo
 
 
É dos canto principais, se não o principal, da liturgia. Nele toda a  assembleia  se une aos anjos e santos para proclamar as maravilhas do Deus Uno  e  Trino.  É  o primeiro canto em ordem de importância. É o canto dos anjos (Is 6,2s) e  também dos homens (Lc 19,38). Não teria sentido convidar os céus e a terra,  os  anjos  e os santos para cantar em uma só voz, e depois somente um coral ou  um  solista executar o canto. Este é essencialmente um canto  da  assembleia.  É desejavel  a participação dos instrumentos para  solenizar  esta  vibrante  saudação:  SANTO, SANTO, SANTO!
 
 
Aclamações em particular
 
 
Há uma série de aclamações durante a  celebração  eucarística  que  poderia  ser cantadas. A Oração Eucarística para  missas  com crianças,  ou  sobre  a  Reconciliação,  o  "Amém"  poderia  ser  cantado  muitas vezes, especialmente depois da doxologia (Por Cristo, com Cristo e em Cristo ...) que é o grande amém da  missa.. Durante  a  consagração  é  melhor  o  silêncio, nem mesmo solos devem distrair a  atenção  da  assembleia  naquele  momento. Pode-se cantar sim a aclamação após a consagração (Eis o mistério da fé ...).
 
 
Pai-nosso
 
 
O Pai-nosso cantado por toda a assembleia tem grande força e significado. É um dos grandes pontos da  Missa,  exprimindo  de  modo  maravilhoso  a  comunhão entre os irmãos. Se não for cantado por todos, é preferível que  seja  recitado. Os instrumentos têm papel de sustentação, evitando distrair a atenção da oração.
 
 
Abraço da paz
 
 
Pode cantar-se uma canção alegre cuja  letra  lembre  fraternidade  e  caridade como fundamento da vida cristã. Deverá ser uma melodia  contagiante. Entretanto não é essencial que a assembleia cante.
 
 
Cordeiro de Deus
 
 
Esta prece, de origem Bíblica (Jo 1,29), faz alusão  ao  Cordeiro  Pascal,  que  se imola e tira o pecado do mundo. Pode ser cantado pelo coral  ou  solista,  mas  a assembleia deve participar da última petição: dai-nos a paz.
 
 
Comunhão
 
 
É o canto mais antigo da missa. Por ele, através da união  das  vozes,  queremos expressar nossa comum-união espiritual  em  torno  de  Jesus  Cristo.  Todos  ao redor da mesma mesa, congregados numa mesma igreja, participam  do  mesmo pão. A função do canto de comunhão é alinhavar esta união.
 
 
É comum escutarmos que se deveria fazer silêncio durante a comunhão para que um  pudesse  se  entreter  num  encontro  pessoal  com  Cristo.  Ë  certo  que  a comunhão dos Cristãos é um ato pessoal, mas deve manifestar-se através de um ato comunitário. E o canto de  comunhão  deve  propiciar  esta  manifestação  de comunidade. Por isso toda a assembleia deve participar entusiasticamente deste canto.
 
 
O Silêncio Eucarístico necessário ao encontro e oração pessoal com Cristo se dá no próximo momento.
 
 
Ação de Graças
 
 
Após a comunhão a assembleia, em silêncio, adora  e  agradece  a  presença  do Cristo Eucarístico. Após este breve silêncio pode-se  cantar  um  salmo  ou  outro canto de louvor ou de ação de graças. Este canto não pode e não deve  excluir  o momento de silêncio após a comunhão.
 
 
É preferível que este canto seja breve e executado por todos.  Por  isso,  também para os instrumentos, não convém longas introduções e interlúdios. É preciso que o maestro tenha a devida sensibilidade e discernimento para saber se este  canto é conveniente em tal momento. Evite-se o canto  de  ação  de  graças  quando  a celebração já estiver por demais prolongada
 



 
IV - Ritos Finais
 
 
Canto Final
 
 
Antes da benção entoa-se uma ou duas estrofes de um canto alegre e que cause a última impressão que se  irá  levar  da  celebração.  Pode  ser  executado  com maestria, porém não deve ser muito prolongado. Um costume muito comum,  é  o de se aproveitar este canto final para  fazer  uma  homenagem  a  Maria,  mãe  de Deus e nossa.
 
 
Após a benção  pode-se  continuar  as  demais  estrofes  do  canto  final,  sem  a necessidade da participação da assembleia. Utilizem-se todos  os  recursos  disponíveis para que este encerramento crie a predisposição  para  o  povo  retornar  à  Festa Eucarística.
 

Adaptado de www.cantemos.com.br